Por que o Monitoramento de Temperatura é fundamental na área da saúde?
Quem trabalha na saúde sabe: boa parte da segurança do paciente depende de um detalhe que quase nunca aparece nas discussões estratégicas, não aparece em checklist de indicadores bonitos e não vira headline… mas deveria. A temperatura.
Ela é discreta, silenciosa, e só lembram dela quando dá errado. E quando dá errado, o prejuízo não é pequeno: laboratórios, hospitais, institutos, farmácias, operadoras, transportadoras, todo mundo sente o impacto. Mas, principalmente, quem está na ponta: o paciente.
Nos últimos anos, o cenário ficou ainda mais crítico.
Dados recentes já mostram que o desperdício anual de medicamentos no Brasil ultrapassa R$ 2 bilhões, considerando falhas de armazenamento, logística, estoque e temperatura. E, só na parte logística e térmica, especialistas apontaram agora em outubro de 2025 que mais de 20% das perdas vêm diretamente de falhas no controle de temperatura durante transporte e distribuição.
Globalmente, o alerta também é claro: a IATA estima que 20% dos medicamentos sensíveis à temperatura sofrem danos durante o transporte, resultando em perdas entre US$ 2,5 bilhões e US$ 12,5 bilhões por ano.
Esses não são números genéricos. São perdas reais em produtos que sustentam terapias vitais no Brasil inteiro:
- vacinas
• insulinas
• imunobiológicos
• bolsas de sangue
• hemoderivados
• reagentes
• amostras biológicas únicas, sem segunda chance
Perdeu, acabou. Não existe reposição imediata. Não existe “vamos tentar de novo amanhã”.
E as mudanças climáticas pioraram tudo.
O que o Brasil viveu nas últimas semanas deixou isso ainda mais evidente.
Eventos extremos, furacões reais, ventos acima do previsto, tempestades severas, quedas de energia longas e oscilações térmicas muito maiores começaram a afetar diretamente o setor de saúde.
Esse novo clima trouxe riscos que antes eram excepcionais e agora estão se tornando frequentes:
- câmaras e geladeiras que não seguram a temperatura em apagões prolongados
• transporte exposto a oscilações bruscas, principalmente em rotas aéreas e interestaduais
• ambientes hospitalares que sofrem superaquecimento temporário
• perda de amostras e hemoderivados quando geradores não suportam a demanda
• estoques inteiros vulneráveis quando a climatização falha por horas
• rotas de transporte afetadas com atrasos, congestionamento climático e riscos de exposição
Ou seja: a gestão térmica deixou de ser um problema pontual e virou um problema estrutural, pressionado por um clima mais instável, mais agressivo e muito menos previsível.
E diante disso, uma realidade fica impossível de ignorar:
Guardar não é o suficiente.
Se não monitorar, não está seguro.
Termolábeis e imunobiológicos continuam sendo o ponto mais frágil da cadeia.
A estabilidade térmica desses produtos é baixa por natureza. Pequenas variações, às vezes minutos fora da faixa correta, já são suficientes para destruir potência, gerar instabilidade ou comprometer toda uma rotina terapêutica.
E na prática, risco não falta:
- porta de câmara que ficou entreaberta
• sobrecarga de estoque além da capacidade real
• geladeiras antigas com oscilação interna grande
• transporte interno que demorou mais que o previsto
• câmaras posicionadas em salas com muita variação térmica
• falta de redundância em momentos de queda de energia
• alarmes que não disparam, ou que disparam tarde demais
Tudo isso acontece em instituições de todos os portes. E quando soma mudanças climáticas + estruturas antigas + processos manuais, o risco explode.
“Mas investir em monitoramento compensa?”
Essa é, disparado, a pergunta que mais escutamos.
E a resposta continua sendo: sim, compensa, e muito.
Hoje, analisando dados de diferentes instituições no Brasil, o custo de um sistema automatizado representa: Menos de 1% do valor total armazenado.
Um único episódio de perda de imunobiológicos, bolsas de sangue ou reagentes de alto custo já ultrapassa anos de investimento em monitoramento contínuo. Mas o ponto mais importante nem é esse. Financeiro pesa, claro. Mas existem outros dois eixos onde o impacto é ainda maior:
1. Técnico
A temperatura é um parâmetro crítico de estabilidade. Ela interfere na qualidade do produto, na sua potência, na sua segurança e na efetividade clínica. É o tipo de variável que não aceita improviso.
Sem monitoramento, você fica cego para:
- micro oscilações noturnas
• quedas de energia quando não tem ninguém olhando
• falhas nos sensores nativos das câmaras
• registros manuais que não refletem a realidade
• desvios térmicos em transporte que só aparecem depois da perda
O resultado disso é simples: se você não mede, você não controla. E se não controla, não protege.
2. Financeiro
Aqui é onde começa a dor que todo gestor sente no orçamento.
Perca uma só vez:
- uma caixa de imunobiológico
• uma carga de vacinas
• reagentes importados
• hemoderivados
• amostras de pesquisa
E o valor já supera facilmente vários ciclos de investimento em monitoramento.
O prejuízo anual do Brasil, ultrapassando agora R$ 2 bilhões, só reforça que o problema não é pontual. É sistêmico.
3. Assistencial
Esse é, sinceramente, o ponto que mais deveria pesar. Perder produto é ruim. Mas aplicar um produto instável é inaceitável.
Temperatura afeta:
- segurança
• eficácia terapêutica
• risco de falha no tratamento
• risco regulatório
• responsabilidade clínica
• confiança do paciente
No fim do dia, não estamos falando só de dinheiro: estamos falando de cuidado, ética e resultado assistencial.
Monitorar não é luxo. É prevenção.
Monitorar temperatura evita:
- desperdício
• retrabalho
• estresse da equipe
• risco sanitário
• impacto regulatório
• ocorrência de eventos adversos evitáveis
• perda de produtos em massa em cenários climáticos extremos
• aquele famoso momento de “isso podia ter sido evitado…”
E com um clima cada vez mais instável, ignorar isso virou um risco técnico, financeiro e assistencial, tudo ao mesmo tempo.
O setor saúde evoluiu muito em tecnologia, mas ainda tem uma dependência absurda de processos manuais. E isso simplesmente não conversa mais com a realidade climática, logística e regulatória de 2025.
Se a instituição quer reduzir perdas, proteger patrimônio, garantir segurança do paciente e ter previsibilidade… monitoramento deixou de ser opcional. É parte da operação. É parte da segurança. É parte da assistência.
Fontes das atualizações:
https://www.iata.org/en/programs/cargo/pharma/





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