Conservação de pesquisas na saúde: um caso de perdas evitadas com a solução Sensorweb

Monitoramento de temperatura na saúde

Existem dias em que o trabalho fala mais alto. Em que um alerta recebido na hora certa mostra, na prática, que tecnologia bem aplicada não é sobre equipamento ou dashboard bonito, é sobre proteger ciência, tempo, dinheiro, pessoas e anos de pesquisa. Histórias assim lembram porque a Sensorweb existe e por que a gente insiste tanto em processos, monitoramento contínuo, qualificação, compliance regulatório e tudo aquilo que parece burocracia, mas é o que mantém uma pesquisa viva.

Foi exatamente o que aconteceu no Instituto Carlos Chagas – FIOCRUZ. Depois de um incidente inesperado, conversamos com o Dr. Guilherme Silveira, responsável pelos ultra-freezers afetados. Ele compartilhou com a gente exatamente o que houve, e aqui está o relato completo.

Monitoramento de temperatura na saúde

Sensorweb: Como foi a ocorrência?

Dr. Guilherme: Devido a obra estrutural no prédio onde está localizado o ICC, ocorreu uma queda parcial de energia, que afetou a sala onde estão localizados os Ultra Freezers (UF). Como a ausência de energia ocorreu apenas nesta sala, o sistema de gerador não foi acionado. Esta ocorrência foi às 6 horas da manhã de sábado, horário em que não havia pessoal no prédio que pudesse perceber a queda de energia.

S: O que a solução Sensorweb lhes alertou? Como receberam estes alertas?

G: Com a queda da energia, as temperaturas dos UFs, os quais trabalham em uma faixa de -70°C, não puderam ser mantidas. Com o monitoramento desta temperatura pelos equipamentos da Sensorweb, a falha pode ser percebida, via e-mail e SMS, antes que a temperatura atingisse valores críticos.

S: O que estava sendo monitorado? Eram materiais de pesquisa?

G: Foram afetados 4 Ultra Freezers. Nestes são armazenados diferentes materiais biológicos como insumos, reagentes, material de pesquisa para ser analisado, e principalmente estoques de suspensão contendo partículas virais. Estas duas últimas, em alguns casos, são insubstituíveis, pois são provenientes de isolados de casos clínicos.

S: O que foi feito uma vez que receberam os alertas?

G: O Pessoal responsável por receber os alertas veio até o ICC, onde foi possível constatar a falha na energia elétrica. Estes então acionaram o setor de Logística e Infraestrutura do ICC, para que o problema pudesse ser solucionado.

S: Caso fosse usando o termômetro e a planilha impressa, quanto tempo depois vocês ficariam sabendo do problema?

G: Provavelmente algumas horas depois, pois como a falha ocorreu em um final de semana, o horário de circulação de pessoal no ICC é incerto. Na pior das condições, isso seria apenas percebido apenas dois dias depois, quando provavelmente o material biológico estaria inutilizado.

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S: Qual o prejuízo que haveria caso estes insumos fossem perdidos?

G: No caso de reagentes, fica difícil calcular monetariamente, pois a quantidade de material que esta dividido entre os 4 UFs é pequena. Porém, a maior perda seria as amostras biológicas, pois estas são insubstituíveis, uma vez que são provenientes de isolados clínicos.

O que este caso revela para a pesquisa clínica no Brasil

Quando um caso desses acontece, ele não fica só no operacional. Ele puxa uma conversa muito maior sobre pesquisa clínica, boas práticas, compliance regulatório e as responsabilidades que os centros têm diante da ANVISA.

A conservação de materiais termossensíveis, tanto produtos de investigação (PIs) quanto amostras biológicas, é uma das exigências mais críticas da RDC nº 945/2024, que rege os ensaios clínicos no Brasil hoje. Essa RDC atualizou regras antigas, alinhou procedimentos com padrões internacionais como o ICH e reforçou a importância de garantir a integridade de tudo que compõe o estudo.

E quando falamos de “integridade”, estamos falando exatamente disso: evitar que uma falha elétrica no sábado de manhã destrua meses, às vezes anos, de pesquisa.

Por que isso importa tanto?

Porque sem a garantia de que os materiais foram armazenados na faixa térmica correta, o estudo pode ser invalidado. A ANVISA pode rejeitar os dados. O patrocinador pode suspender o centro. E o prejuízo científico e financeiro pode ser incalculável.

Ou seja: não é só um freezer. É o coração do estudo.

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