Blockchain: Inovação que garante transparência e segurança na Cadeia de Suprimentos de Sangue
A cadeia de suprimentos de sangue é um dos processos mais críticos da área da saúde, pois envolve diretamente a segurança do paciente e a eficácia de tratamentos médicos.
A necessidade de rastreabilidade, integridade das informações e conformidade regulatória torna esse fluxo altamente sensível a falhas humanas, fraudes e inconsistências de dados. Essa cadeia também envolve múltiplos atores, como doadores, hemocentros, laboratórios, transportadoras, hospitais e órgãos reguladores.
Cada etapa exige controle rigoroso de informações, incluindo testes sorológicos, condições de armazenamento, transporte e validade do sangue. Sistemas tradicionais, geralmente centralizados, podem apresentar limitações quanto à rastreabilidade em tempo real, segurança dos dados e interoperabilidade entre instituições.
Nesse contexto, a tecnologia blockchain surge como uma solução inovadora para garantir transparência, segurança e confiabilidade em todas as etapas, desde a doação até a transfusão.
A tecnologia blockchain, originalmente associada às criptomoedas, vem sendo aplicada em diversos setores da saúde como uma ferramenta para registro seguro e descentralizado de informações. Na cadeia de suprimentos de sangue, seu uso possibilita maior controle, redução de erros e aumento da confiança entre as partes envolvidas.
Blockchain é uma tecnologia de registro distribuído (Distributed Ledger Technology – DLT) que armazena dados em blocos encadeados de forma cronológica e criptografada. Cada bloco contém um conjunto de transações validadas por uma rede de participantes, chamados nós. Uma vez registrado, o dado torna-se imutável, o que significa que não pode ser alterado sem o consenso da rede.

As principais características do blockchain são:
- Descentralização: ausência de uma autoridade central única;
- Imutabilidade: registros não podem ser apagados ou alterados;
- Transparência: informações podem ser auditadas pelos participantes autorizados;
- Segurança: uso de criptografia para proteção dos dados.
Blockchain Aplicado à Cadeia de Suprimentos de Sangue
Na cadeia de suprimentos de sangue, o blockchain funciona como um livro-razão digital único para cada bolsa de sangue. Cada evento relevante é registrado como uma transação, criando um histórico completo e confiável.
Etapas Registradas
As principais etapas que podem ser registradas em blockchain incluem:
- Registro da doação e identificação do doador (dados sensíveis protegidos);
- Resultados de exames laboratoriais;
- Processos de fracionamento e armazenamento;
- Condições de transporte (temperatura, tempo e localização);
- Recebimento pelo hospital;
- Utilização na transfusão ou descarte.
Cada bolsa de sangue recebe um identificador único, permitindo rastreabilidade total ao longo de seu ciclo de vida.
Integração com IoT e Sistemas de Monitoramento
O uso do blockchain torna-se ainda mais eficiente quando integrado a dispositivos de Internet das Coisas (IoT). Sensores instalados em câmaras frias e veículos de transporte podem coletar dados como temperatura, umidade, localização e tempo de armazenamento.
Essas informações são registradas automaticamente no blockchain, reduzindo a intervenção humana e o risco de erros. Caso algum parâmetro saia do padrão aceitável, o sistema pode gerar alertas em tempo real e bloquear o uso da bolsa de sangue comprometida.
A aplicação do blockchain na cadeia de suprimentos de sangue oferece diversos benefícios:
- Rastreabilidade completa: acesso rápido ao histórico de cada bolsa;
- Segurança da informação: proteção contra fraudes e adulterações;
- Transparência e auditoria: facilidade no cumprimento de normas regulatórias;
- Redução de desperdícios: identificação precoce de falhas no armazenamento;
- Resposta rápida a incidentes: maior agilidade em recalls e investigações.
Esses benefícios impactam diretamente a qualidade do atendimento ao paciente e a eficiência operacional das instituições de saúde.
Conformidade Regulatória e Proteção de Dados
A cadeia de suprimentos de sangue está sujeita a rígidas normas sanitárias e de proteção de dados. O blockchain pode contribuir para a conformidade com legislações como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), ao permitir controle de acesso, rastreamento de uso das informações e registro auditável de todas as operações.
É importante destacar que dados sensíveis não precisam ser armazenados diretamente no blockchain, podendo ser mantidos em sistemas seguros externos, com apenas os hashes e registros de validação gravados na rede.
O uso do blockchain na cadeia de suprimentos de sangue representa um avanço significativo na gestão da saúde, ao oferecer maior segurança, rastreabilidade e transparência. Ao integrar essa tecnologia com sensores IoT e sistemas hospitalares, é possível reduzir riscos, minimizar desperdícios e aumentar a confiança nos processos transfusionais. Embora existam desafios para sua adoção, os benefícios potenciais tornam o blockchain uma ferramenta promissora para o futuro da segurança do sangue e da saúde pública.

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